Artigos publicados em 2005

Estudantes contra o Eixo: as manifestações da UNE e a relação com o Estado Novo

Angélica Muller
(…) pretende-se abordar os aspectos que levaram a entidade a realizar as inúmeras passeatas que contribuíram para que o governo se posicionasse contra o Eixo durante a Segunda Guerra, bem como o desdobramento principal desta ação: a cedência do Clube Germânia para os estudantes. (…)

Julho

O movimento estudantil brasileiro e a crise das utopias

Revista Alceu - v.6 - n.11 - p. 195 a 205 - jul./dez. 2005, pp.195-205
Roberto Amaral
O autor desenvolve seus argumentos visando à defesa de um conjunto de proposições e teses, entre as quais: a) numa sociedade democrática, o movimento estudantil organizase em torno da discussão geral e execução de tarefas inerentes ao porvir dessa sociedade, esse porvir ganhando formulação num conjunto de desejos, antecipações, “utopias”; b) entre 1945 e 1964, a sociedade brasileira, num contexto de governos legitimados pelo voto popular, faz a opção por se reconstruir segundo o perfil das nações industrializadas do Ocidente, aderindo a modelos de utopias então chamadas de “nacionalismo”, “socialismo”, “desenvolvimentismo”; c) o movimento estudantil brasileiro organiza-se em apoio a esses “projetos”, procurando ampliar as possibilidades políticas dessas utopias, as quais começam a ganhar “realização” nos chamados Anos Dourados (1950-60); d) nos vinte anos de ditadura (1964-1983), a opção pelo desenvolvimentismo com autoritarismo impõe à sociedade civil mudança de estratégia e táticas, vários dos segmentos do movimento estudantil orientando-se pela ação armada; e) com o fim do projeto de desenvolvimento autoritário e dependente, o movimento estudantil encontra espaço na luta através de pressão política pela redemocratização da sociedade, pelo aperfeiçoamento de suas instituições sociais, movimento que é frustrado não só pela ação das antigas elites no comando da chamada Nova República, como também pela emergência de um novo contexto internacional, com a queda do muro de Berlim, a chamada globalização e início das políticas do neoliberalismo; f) a partir de 1989, com o “fim das utopias”, há a fase de refluxo dos movimentos sociais. O imobilismo caracterizador da atual fase da vida política brasileira explica-se, segundo o autor, pela renúncia, por parte das elites, à elaboração de um projeto de nação, acomodação política carregada de riscos quanto à continuidade de nossa formação social.

"Ter simplesmente este livro nas mãos é já um desafio": livros de oposição no regime militar, um estudo de caso

Em Questão, Porto Alegre, v. 11, n. 2, p. 259-279, jul./dez. 2005.
Flamarion Maués
O objetivo deste artigo é, a partir da reconstituição do modo como foi escrito e editado o livro Poemas do povo da noite, de Pedro Tierra, e do papel político que a obra desempenhou, assinalar algumas das características dos livros de oposição no período da abertura política (1974-1985). Isso engloba questões relativas a: 1) conteúdo do livro; 2) condições em que o texto foi criado; 3) percurso do original ao livro publicado; 4) perfil do autor; 5) perfil da editora; 6) ligações políticas do autor e da editora; 7) difusão da obra, 8) repercussão nos meios políticos e na imprensa; 9) análise da obra como produto editorial e comercial. Analisando como essas questões estão presentes numa determinada obra podemos definir se ela pode ser considerada um livro de oposição no período em foco.

Maio

Assassinato de Alexandre Vannucchi Leme gerou protestos da sociedade

Revista Adusp, maio 2005
Por Marina Gonzalez
(…) A morte de Alexandre, apelidado "Minhoca" pelos colegas, teve repercussão imediata. Outros estudantes também haviam sido presos e era preciso tomar alguma atitude. O Conselho de Centros Acadêmicos declarou luto na USP e os alunos pressionaram por uma intervenção do então reitor Miguel Reale que, num ofício à Secretaria de Segurança Pública do Estado, solicitou informações sobre a morte de Alexandre "aos órgãos competentes". (…)

Janeiro

Arte e movimento estudantil: análise de uma obra de Antonio Manuel

Revista Brasileira de História, vol.25 nº.49, São Paulo Jan./June 2005
Por Artur Freitas, UFPR
Podem as manifestações visuais, e no limite a própria visualidade, participar crítica e reflexivamente dos grandes debates do espaço público? Em linhas gerais, é justamente a crença nesse poder de intervenção crítica que manteve acesa, no caso das artes plásticas, uma intensa atividade pública, contestatória e coletiva das vanguardas brasileiras durante o regime militar, sobretudo em seus primeiros anos de vigência. E é a partir desse contexto histórico que este artigo pretende analisar algumas implicações estéticas e ideológicas presentes na obra Movimento estudantil 68, serigrafia de Antonio Manuel premiada no Salão Paranaense de 1968. Produzida em plena efervescência política do movimento estudantil, mas exibida ao público nos primeiros dias de vigência do Ato Institucional nº 5, Movimento estudantil 68 será aqui entendida como uma trama discursiva em que se cruzam história e visualidade.underline text

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