A Vida de Che
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Fidel, ao referir-se a Che, disse: “nos deixou seu pensamento revolucionário, nos deixou suas virtudes revolucionárias, nos deixou seu caráter, sua vontade, sua tenacidade, seu espírito de trabalho. O homem que deve ser modelo para nosso povo”.

Em 14 de junho de 1928 nasce em Rosário, na Argentina, sendo o mais velho dos cinco filhos do casamento entre Ernesto Guevara Lynch e Célia de la Serna Llosa. São seus irmãos: Roberto, Célia, Ana Maria e Juan Martín.

Os primeiros quatro anos de sua vida transcorrem em sua cidade natal, Misiones, e em Buenos Aires, onde aos dois anos de idade sofre seu primeiro ataque de asma que motiva a transferência da família a Alta Gracia, a 30 km de Córdoba. Em Alta Gracia começa a ir à escola, e em Córdoba, aos 14 anos, começa o ensino médio. Ávido leitor desde sua infância, possuidor de uma vasta cultura, por seus olhos passam as obras de Dumas, Salgari, Júlio Verne, Stevenson e outros. Aos 17 anos começa a redigir um Caderno de Filosofia, matéria de interesse ao longo de sua vida.

Em abril de 1947 termina o segundo grau e nesse ano a família se transfere à capital argentina, onde Che se matricula na Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires. Simultaneamente aos estudos, também trabalha como enfermeiro no município de Buenos Aires, em barcos mercantes e na clínica do Dr. Pisani, considerado o melhor especialista da Argentina em Alergia, experiência que lhe servirá para realizar trabalhos de pesquisas. Pratica esportes: xadrez, futebol, natação.

Em 1950, estudante de Medicina, empreende uma viagem pelo interior do país, conduzindo uma motocicleta, antecedendo seu sua viagem pelo continente. Percorre 12 províncias do interior do país, cerca de 4500 km. Fundou a revista Tackle.

Em dezembro de 1951, em companhia de seu amigo Alberto Granado e da Poderosa II (motocicleta), inicia um percurso pela América que começa ao sul da Argentina e os leva a Chile, Peru, Colômbia e Venezuela, e como registra em suas anotações pessoais, isso provocou-lhe tamanhas mudanças do que poderia imaginar. A viagem é feita em motocicleta, em caminhões de carga, como caroneiros em barco ou em uma simples balsa pelos rios caudalosos da América. Em San Pablo, Peru, trabalham durante algum tempo em um leprosário. Em Caracas os amigos se separam. Che regressa a Buenos Aires para terminar seus estudos de Medicina.

Em junho de 1953 se graduou como médico, e sai de novo, em 7 de julho de 1953, de Buenos Aires, rumo a Bolívia com seu amigo Carlos “Caliça” Ferrer — 6 mil quilômetros em trem — atravessa o lago Titicaca, volta ao Peru e mais tarde está no Equador, daí seguindo a Panamá e depois Costa Rica e Nicarágua, El Salvador e, finalmente, Guatemala. Caminhos de revolução que o aproximam pela primeira vez ao que definira como uma autêntica revolução.

Che leu muito e viu muito mais em suas viagens pela América, o que o conduz a um contato muito estreito “com a miséria, com a fome, com as doenças, com a impossibilidade de criar um filho por falta de condições, com o embrutecimento provocado pela fome e pelo castigo contínuo…” A essa singular experiência agrega-se um acontecimento de repercussões inimagináveis, o encontro com cubanos que tomaram os quartéis de Moncada e Bayamo e que estavam exilados na Guatemala. Dentre eles destaca-se a presença de Ñico López, homem de esquerda, com o qual se produz uma total afinidade e através do qual Che começa a conhecer Fidel Castro, líder do movimento para alcançar a plena libertação de Cuba.

Com a invasão mercenária contra o governo de Jacobo Arbenz, o governo norte-americano consegue a derrubada da revolução da Guatemala, em junho de 1954, e Che decide viajar ao México. Na viagem de trem ao país asteca conhece Júlio Roberto Cáceres, “El Patojo”, com quem trabalha como fotógrafo ambulante na capital mexicana, ao mesmo tempo em que realiza pesquisas científicas.

Em outubro de 1954 reata suas relações com Ñico López e com os revolucionários cubanos residentes no México. Uma noite de julho de 1955 conhece Fidel, e ao terminar o encontro, Che era um dos futuros expedicionários do Granma.

Em meados de 1955 contrai matrimônio com Hilda Gadea, com a qual teve uma filha, Hildita. Em junho de 1956, junto com Fidel e outros companheiros é feito prisioneiro. Quando o iate Granma parte de Tuxpan, em 25 de novembro de 1956, Che tinha a responsabilidade de ser o médico da tropa.

Depois vêm dois anos de guerra, a dispersão inicial, o reagrupamento, a organização das forças, as batalhas: Alegria de Pío, La Plata, Arroyo del Infierno, o Uvero, Bueycito, El Hombrito, Pino del Agua, Mar Verde, Altos de Conrado, Santa Rosa.

Em Alegria del Pío, uma rajada lhe fere no pescoço. Em Uvero, em 28 de maio, se destaca por sua bravura. Em La Plata, junto a Fidel e outros companheiros, atacam de frente o quartel. Converte-se em um tático e estrategista insuperável, demonstrado em toda sua trajetória de luta em terras cubanas. Em julho de 1957 é o primeiro expedicionário do Granma promovido a comandante e designado chefe da segunda coluna do Exército Rebelde, a número 4. Em Altos Conrado é ferido em um pé.

Com a asma, a mochila e o fuzil às costas realiza marchas intermináveis. Funda o jornal “El Cubano Libre”, cura, combate, organiza. Participa na derrota da ofensiva de verão da tirania à frente a sua tropa. Depois do combate de Santa Rosa fica responsável pela Escola de Recrutas de Minas del Frío.

Em 31 de agosto de 1958 inicia a invasão à parte ocidental do país, no comando da coluna 8 “Ciro Redondo”, com o objetivo essencial — seguindo as ordens do Comandante Fidel Castro — de cortar o fornecimento do Exército da ditadura às províncias orientais, agrupar as forças revolucionárias do território de Las Villas e conduzi-las sob um comando único. Em 9 de setembro tem seu primeiro encontro com as tropas inimigas, na La Federal, e o segundo em 14 de setembro, em Cuatro Compañeros. A coluna chega à região montanhosa de Las Villas em 16 de outubro, começando assim a histórica Campanha de Las Villas. São tomadas suas principais cidades até finalizar com a Batalha de Santa Clara e a rendição das tropas inimigas em 1º de janeiro de 1959.

Exemplo, multiplicidade e integridade o distinguem, quando apesar de suas enormes responsabilidades edita o jornal El Cubano Libre, em 1957, no qual, com o pseudônimo de Franco atirador redige diversos artigos, em permanente tarefa educativa, e em fevereiro de 1958 funda a Radio Rebelde. Além disso, cria pequenas indústrias de guerra com o fim de satisfazer necessidades primárias da contenda.

Ao triunfo da revolução, por ordens de Fidel, parte a Havana para ocupar a Fortaleza de São Carlos de La Cabaña. Chega à frente de sua coluna em 3 de janeiro de 1959. Em 2 de junho de 1959 contrai matrimônio com Aleida March de la Torre, combatente que conhece na serra de Escambray, com a qual tem quatro filhos: Aleida, Camilo, Célia e Ernesto.

Após o triunfo revolucionário lhe são designadas múltiplas responsabilidades de Estado e de governo, primeiro como Chefe Militar de La Cabaña e de Capacitação do Exército Rebelde; posteriormente chefe do Departamento de Industrialização do INRA (Instituto Nacional de Reforma Agrária), presidente do Banco Nacional, Chefe Militar da Região de Ocidente, Ministro de Indústrias, membro da Direção do Partido, com responsabilidades na Junta Central de Planificação (JUCEPLAN). Recebeu os títulos de Cidadão cubano, Doutor Honoris Causa em Pedagogia e Filho Adotivo de Cabaiguán e Fomento.

Desde 1959 desempenha diversas funções dentro da Política Exterior da Revolução Cubana. Viajou à frente de numerosas delegações, destacando-se as visitas realizadas nos países que constituíam o Pacto de Bandung, precursor do Movimento dos não-Alinhados; a assinatura de convênios com os países socialistas, sua participação em conferências internacionais em Punta del Este, Uruguai, em 1961; preside a delegação que participa da Conferência das Nações Unidas sobre comércio e Desenvolvimento, que se realiza na Suíça, em 1964; preside uma delegação à Assembléia Geral da ONU em 1964, onde pronuncia um histórico discurso. Em 1965 participa na Conferência de Argel, em 24 de fevereiro e pronuncia um discurso muito importante.

O legado de seu pensamento teórico, dinâmico e criativo ficou registrado em numerosos artigos e entrevistas, em edições nacionais e internacionais. Fundou as revistas Verde Olivo, Nuestra Industria e Nuestra Industria Económica. Publica os livros Guerra de guerrilhas e Pasajes de la guerra Revolucionária, além de documentos de transcendência universal: “El Socialismo y el hombre em Cuba” e o mundialmente conhecido como “Mensaje a la Tricontinental”.

No âmbito militar, como Chefe Militar do Ocidente, durante a invasão mercenária por Playa Girón estabeleceu a chefatura em Pinar del Rio, do mesmo modo em que na Crise de Outubro, instala o comando na Cueva de los Portales, na mencionada província. Como Ministro da Indústria assentou as bases do desenvolvimento industrial do país, multiplicando a instalação e ampliação de fábricas com um sentido integral, com o objetivo de garantir a construção socialista no país.

Em 1965 começa um novo ciclo em sua vida, determinado pelo internacionalismo revolucionário. Em abril daquele ano dirige sua carta de despedida a Fidel e ao povo de Cuba, onde destaca: “Outras terras do mundo reclamam a colaboração de meus modestos esforços”.

Em abril de 1965 chega às selvas do Congo, onde permanece por sete meses. Em 1966 por insistência de Fidel, regressa a Cuba, onde incógnito se prepara junto a um grupo de companheiros e parte depois, em 23 de outubro do mesmo ano, para a Bolívia para consagrar-se à causa da libertação da América Latina.

Na Bolívia, comanda o Exército de Libertação Nacional (ELN), travando numerosos combates durante os onze meses em que se estende a peleja, contra um exército treinado e armado por assessores estadunidenses.

No combate de Quebrada del Yuro, em 8 de outubro de 1967, com feridas em uma perna que lhe dificultavam caminhar, com o fuzil destruído por um balaço e sem o carregador de sua pistola, é feito prisioneiro e conduzido ao povoado de La Higuera. É assassinado no dia seguinte na escolinha de la Higuera, por ordens da CIA e do Alto Comando do Exército boliviano.

Seu cadáver foi sepultado em uma vala comum em Vallegrande, com outros combatentes caídos ou assassinados no combate de Quebrada del Yuro, considerado seu penúltimo combate porque seu exemplo continua sendo um estandarte de luta e porque, como disse Fidel, “…de Ernesto Guevara nunca se poderá falar no passado…”

Durante 30 anos seus restos mortais permaneceram naquela localidade, até a data de sua descoberta, em 28 de junho de 1997 e seu traslado a Cuba, em 12 de julho desse mesmo ano. Posteriormente, as províncias de Ciudad de La Habana, La Habana, Matanzas e Villa Clara, representando o povo de Cuba, prestam-lhe homenagem póstuma e em 17 de outubro, seus restos mortais juntamente com os dos outros combatentes encontrados naquela data, são depositados no mausoléu que leva seu nome, na cidade de Santa Clara, com o qualificativo outorgado pelo companheiro Fidel, de “companheiros heróicos do destacamento de reforço”.

Realizada pelo Centro de Estudos Che Guevara
Havana, Cuba

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