Maria Auxiliadora Lara Barcelos
barcellos.jpg

Ficha Pessoal

Dados Pessoais
Nome Maria Auxiliadora Lara Barcelos
Cidade Antônio Dias
Estado MG
Data de nascimento 25/3/1945
Atividade Estudante universitária
Universidade Universidade Federal de Minas Gerais
Dados da Militância
Organização Vanguarda Armada Revolucionária Palmares — VAR-Palmares
Codinome Dodora
Maria Alice
Maria Eugênia
Chica
Laura
Maria Auxiliadora Montenegro
Maria Carolina Montenegro
Prisão 21/11/1969, em casa, na R. Aquibadã, 1053, Lins de Vasconcelos
Dados da repressão
Orgão de repressão Polícia do Exército. PE

Biografia

Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONARIA PALMARES (VAR-PALMARES).

Filha de Clélia Lara Barcellos e Waldemar de Lima Barcelos, nasceu no dia 25 de março de 1945, em Antônio Dias, Minas Gerais, onde seu pai trabalhava como agrimensor.

A profissão do pai a levou a regiões diversas: São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro e todos eram obrigados a acompanhá-lo em suas andanças. Para os filhos isso significou freqüentar diversas escolas.

Em Belo Horizonte, Dora estudou no Colégio Estadual Nossa Senhora de Fátima.

Seus avós haviam ajudado a organizar uma escolinha num bairro pobre. Dora, com 14 anos, junto com Maria Helena, sua irmã, lecionava nesta escolinha que ficava numa das favelas da cidade. Lecionaram por mais de dois anos, em contato permanente com a miséria dos moradores da favela, imigrantes de zonas rurais.

Quando era aluna do curso primario, Dorinha sonhava ser missionária. Quando moça, ela pensava em servir como médica no próprio Brasil ou no exterior.

Começou a estudar Medicina, na UFMG, em 1965. Durante o curso, começou a perceber a miséria que a cercava

Dora cursava o quinto ano de Medicina, na área de Psiquiatria, e dava plantões no Hospital "Galba Veloso" e no Pronto Socorro.

Nos hospitais onde Dorinha trabalhou, como estudante, havia 80 pacientes em dormitórios planejados para 15 pessoas. Faltava alimentação adequada, os doentes eram submetidos ao penoso processo de choque elétrico e tratados mais como números do que como seres humanos. A partir daí, Dora começou a se rebelar.

Em 1968 aderiu à ideologia marxista-lenista, admirando, como grandes exemplos, personalidades como as de Che Guevara e de Carlos Marighella e recebendo uma grande influência das teorias de Regis Debray Nessa época, Dora já estava atuando no movimento estudantil.

No dia 19 de março de 1969, Dora mudou-se para o Rio de Janeiro, entrando para a clandestinidade como militante da organização VAR-PALMARES. Dorinha usava os nomes de Maria Auxiliadora Montenegro e Maria Carolina Montenegro e os codinomes Dodora, Maria Alice, Maria Eugênia, Chica e Laura. Mesmo vivendo como clandestina, continuou enviando notícias, através de cartas, para sua família.

Dorinha foi presa no dia 21 de novembro de 1969 no Rio de Janeiro, em companhia de Antônio Roberto Espinoza e Chael Charles Schreier, na casa em que moravam na rua Aquidabã, 1053, em Lins de Vasconcelos, por denúncias de vizinhos.

Levados para o Quartel da PE na Vila Militar, foram bastante torturados e Chael, em conseqüência das torturas, morreu em menos de 24 horas de prisão, conforme testemunho de Dorinha.

Banida para o Chile, em 23 de janeiro de 1971, quando do seqüestro do embaixador Suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, junto com outros 69 presos políticos brasileiros. Dorinha viajou acreditando que poderia levar uma vida normal - estudando e trabalhando - fazendo o que queria, lutando pelos oprimidos. No Chile, que ela tanto amou, onde reencontrou a alegria, a esperança e a liberdade, voltou a estudar.

Em 1973, com a queda de Allende e o golpe militar, Dora teve que conseguir asilo político na embaixada do México, onde viveu 6 meses e trabalhou como intérprete.

Do México foi para a Bé1gica e da Bé1gica para a França, onde ficou 2 meses e, de lá, para a Alemanha, passando a viver em Colônia e a fazer um curso da língua alemã. Como aluna aplicada e estudiosa conseguiu ir para Berlim Ocidental, depois de passar, em primeiro lugar, no concurso de língua alemã, entre 600 estrangeiros. Na Alemanha, finalmente, conseguiu dar prosseguimento ao curso de Medicina que, no Brasil, interrompera no 5° ano e no Chile não conseguira concluir.

Para conclusão do curso, com especialidade em Psiquiatria, pelo seu currículo, foi feita a exigência de que se submetesse a 24 provas, de 4 horas cada uma. Dora, com a coragem e disposição que lhe eram peculiares, dispôs-se a fazer as provas; recebia para isto, uma bolsa do governo alemão, que, era uma das maiores na época, e receberia até carro, a ponto de dispensar a ajuda familiar, que até então fora imprescindível.

Parece que Dora não deveria mesmo concluir o curso de Medicina. Quando estava fazendo a 18ª prova, jogou-se sob os trilhos do metrô, encontrando morte instantânea.

O governo alemão encarregou-se das providências e arcou com todas as despesas, desde que morreu até o traslado do seu corpo para o Brasil, além de conceder uma indenização que, a pedido de sua famflia, foi revertida em benefício dos seus companheiros que mais precisassem. Seu corpo foi cremado na Alemanha, trazido para o Brasil e enterrado em Belo Horizonte.

Documentos

Relatório

Documento do II Exército, de 30/12/69. Informa a prisão de Antônio Roberto Espinosa, Maria Auxiliadora Lara Barcelos e Chael Charles Schereir e que, devido a documentos apreendidos com os mesmos, o Exército desconfia que as organizações de esquerda pretendiam pôr em prática um "terrorismo seletivo".

Relatório

Documento do DOPS/SP, de 13/05/70. Informa que Chael participou da organização da defesa do CRUSP, foi preso pelo DEIC, pois estava portando armas, era integrante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Foi preso juntamente com Antônio Roberto Espinosa e Maria Auxiliadora de Lara Barcelos, mas ambos resistiram à prisão e foram feridos, sendo que Chael veio a falecer devido a um ataque cardíaco no Hospital Central do Exército (HCE). Uma das cópias tem os códigos de onde as informações foram retiradas e a outra possui fotografia de rosto.

Artigo de jornal

STM pede todos os processos para dar anistia aos revéis. Folha de S. Paulo, São Paulo, 22 set. 1979. Segundo o Superior Tribunal Militar (STM), os réus que foram julgados à revelia devem ser beneficiados pela Lei da Anistia. No Rio de Janeiro, já foram anistiadas várias pessoas condenadas por crimes contra a segurança nacional, entre eles: Ruy Carlos Vieira Berbet, Maria Augusta Thomaz, Mariano Joaquim da Silva e Maria Auxiliadora Lara Barcelos. Em Brasília foram beneficiadas quatro pessoas e em São Paulo foram concedidos dois livramentos condicionais.

Fonte: Centro de Documentação Eremias Delizoicov

Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 License