Helenira Rezende de Sousa Nazareth

Dados pessoais

Codinome Eliana Resende Barbosa
Apelidos Fátima
Cor negra
Altura 169cm
Idade 28 anos
Sexo feminino
Cabelo cast.esc./crespo/curto
Data e local de nascimento 11/01/44, em Cerqueira César/SP
Filiação Adalberto de Assis Nazareth/ Euthalia Resende de Sousa Nazareth

Biografia

Participou do movimento estudantil dos anos de 1967 a 1970, sendo eleita para a diretoria da UNE, período de 1969/70. Foi presa e torturada pela "famigerada equipe do Fleury". Posteriormente passou a viver na região do Araguaia onde se dedicava à agricultura. Em entrevista a um jornalista, na floresta, relembrou acontecimentos dos anos do movimento estudantil, afirmando: "Esse regime que ensangüenta o Brasil precisa ser derrubado. Isto está na cabeça e no coração de milhões de jovens." Na mesma ocasião da entrevista enviou uma mensagem de confiança aos estudantes: "Empunhem firmemente a bandeira da liberdade, não dêem trégua à ditadura; quem persiste na luta acaba triunfando".

No dia 29/09/72, cercada por tropas da reação, não se amedrontou. Recebeu uma rajada de metralhadora nas pernas e verteu muito sangue; mesmo assim continuou resistindo até a última bala, matando um soldado e ferindo gravemente outro. Ao ser presa, ainda viva, gritou a seus algozes: "Os companheiros me vingarão!". Foi assassinada em seguida, tendo o seu corpo sido enterrado na localidade chamada Oito Barracas.

Helenira honrou a juventude brasileira e ressaltou também o papel da mulher na luta pela liberdade."

Documentos

Homenagens

  • comunicado n.º 6 das Forças Guerrilheiras do Araguaia, faz referência a sua morte e a partir desta data o destacamento a que pertencia passa a ter o seu nome.
  • Nome da antiga Rua 03, no Residencial Cosmo I, em Campinas, com início na antiga Rua 15 e término na antiga Rua 08 — Lei nº 9497, de 20/11/97.

Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento

  • Citada no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 — Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.
  • Citada na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil — seção do Estado do Rio de Janeiro — outubro de 1982.

Relatório Arroyo

"No dia 29 de setembro, houve um choque do qual resultou a morte de Helenira Resende (Helenira Resende de Souza Nazareth). Ela juntamente com outro companheiro, estava de guarda num ponto alto da mata para permitir a passagem, sem surpresas, de grupos do destacamento. Nessa ocasião, pela estrada vinham tropas. Como estas achassem a passagem perigosa, enviaram "batedores" para explorar a margem da estrada, precisamente onde se encontrava Helenira e o outro companheiro. Este quando viu os soldados, acionou a metralhadora, que não funcionou. Ele correu e Helenira não se deu conta do que estatava sucedendo. Quando viu, já os soldados estavam diante dela. Helenira atirou com uma espingarda 16. Matou um. O outro soldado deu uma rajada de metralhadora que a atingiu. Ferida, sacou o revólver e atirou no soldado, que deve ter sido atingido. Foi presa e torturada até a morte. Elementos da massa dizem que seu orpo foi enterrado no local chamado Oito Barracas."

Informações obtidas através de documentos das Forças Guerrilheiras do Araguaia:

Sua morte é citada no Comunicado n.º 6 das Forças Guerrilheiras do Araguaia.

Relatório do Ministério Exército

Filha de Adalberto de Assis Nazareth e de Euthália Rezende de Souza Nazareth, nascida em 11/01/44, em Cerqueira César/SP.

Militante da APML do B, utilizava o nome falso de Eliana Resende Barbosa e os codinomes de Fátima, Preta e Rosa, sendo presa quando participava do XXX Congresso da UNE.

Em Jan./73 a terrorista Elza de Lima Monerat declarou que a nominada havia morrido na guerrilha do Araguaia. [Que declaração é esta dada em 1973, quando Elza se encontrava na clandestinidade?]

Relatório do Ministério da Marinha

Out./71 — foi condenada (revel) à pena de 18 meses de detenção pela 2ª Auditoria/ 2ª CJM, por haver participado do XXX Congresso da UNE em Ibiúna/SP, no dia 12/10/68. (Encontra-se foragida).

Relatório do Ministério da Aeronáutica

Militante do PC do B e guerrilheira do Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morta ou desaparecida no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão.

Arquivos do DOPS

presa em 12/10/68, na Chácara do Alemão, em Boqueirão/PR.

Prisão preventiva decretada em set./69 pela Auditoria 5ª RM — IPM do Major Celso — (DOPS/PR).

Fichas entregues ao jornal O Globo em 1996

"Fátima" — "Preta"— "Rosa" — AP/SP — PC do B/SP (1968)

  • filha de Adalberto de Assis Nazareth e Euthália Resende de Sousa Nazareth, nascida em 11 Jan. 44, em C.César/São Paulo.
  • residiu a rua Robertson, 633 — Cambuci — São Paulo/capital
  • foi presa em Ibiúna/SP
  • foi morta no dia 28 set. 72, no Pará.

Relatório das Operações contraguerrilhas realizadas pela 3ª Bda Inf. no Sudeste do Pará

Ministério do Exército — CMP e 11ª RM — 3ª Brigada de Infantaria — Brasília/DF, 30 out 72; assinado pelo General de Brigada — Antônio Bandeira — Cmt da 3ª Bda Inf.

Ações mais importantes realizadas pelas peças de manobra:

… Da FT 2º BIS — ação de patrulhamento, em 28 Set 72, executada por 1 GC na R do Alvo teve como resultado a morte da terrorista Helenira Rezende de Souza Nazareth ‘Fátima’ (Dst A — Grupo Metade)

Relatório da Operação Sucuri, de maio/74

Confirma sua morte, como "Fátima".

Informações e depoimentos obtidos através da imprensa ou dos familiares

É citada como morta na reportagem de Fernando Portela, com seu nome.

Conheci o "Nelito", a "Cristina", o "Duda", o "Antônio", o "Nilo", a "Rosinha", o "Zé Carlos", o "Lino", o "Waldir", o "João Araguaia", a "Fátima", a "Sônia"e o "Edio". Eles convidavam o povo para a libertação. …Nelito e Zé Carlos foram mortos na localidade do Caçador, pegaram o Édio vivo, o Duda teve a perna quebrada; a Rosinha eu vi ser presa, encontrei-a na Vila São José e ela pediu para a gente rezar por ela, pra não morrer. (Depoimento de Maria Raimunda Rocha).

Ainda assim, alguém se disporia a dar o seu depoimento. E mencionando ainda mais inúmeros guerrilheiros que foram pegos vivos e feitos prisioneiros. José da Luz Filho, lavrador, que teve seu pai preso durante sete meses em Marabá, contou que: "(…) Quando o Exército chegou a 1a vez, matou a Fátima. Ela está enterrada a 100 metros das 'oito barracas'."

Helenira Resende de Souza Nazaré, ex dirigente da UNE que, ao ser atacada por dois soldados, matou um deles e feriu o outro. Metralharam-na nas pernas e a torturaram barbaramente até a morte. [Depoimento de Elza Monerat]

"As testemunhas relacionaram para Vicente Araújo [Juiz] os nomes de Sírio [Ciro] Flávio Salazar e Oliveira, João Carlos Haas Sobrinho, Bergson Gurjão Farias, Helenice [Helenira] de Souza Nazaré e Manoel José Lurchis [Nurchis]."

Em seu depoimento, Danilo Carneiro …, afirmou que viu, na prisão, slides de corpos mutilados de guerrilheiros e álbuns de fotografias que lhes eram mostrados pelo Exército para que ele os identificasse. "Eles iam matando e riscando os nomes do álbum." Ele confirmou ter visto fotografias dos corpos de Bergson Gurjão Farias, Elenira e João Carlos Haas Sobrinho. Danilo foi o primeiro guerrilheiro a ser preso pelo Exército. (…) "

Uma comissão formada por parentes de desaparecidos políticos pediu ontem ao ministro da Justiça, Maurício Corrêa, a interdição da Fazenda Oito Barracas, no Pará, onde teriam sido enterrados os corpos de 31 guerrilheiros durante a guerrilha do Araguaia. A comissão levou ao ministro, em Brasília, ossos encontrados na fazenda. (…)
Suspeita-se que, entre os desaparecidos, esteja Helenira Nazaré, que foi vice-presidentes da UNE. Presa em 1968, ela foi solta e ingressou na guerrilha. (…)
Corrêa determinou à Consultoria Jurídica do Ministerio que apresente uma solução para o caso em 48 horas.

O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, solicitou ontem um prazo de 48 horas para estudar as alternativas legais cabíveis no sentido de interditar o cemitário clandestino de Oito Barracas, no distrito de São Domingos do Araguaia, ao sul de Marabá, Pará. No local, segundo indícios encontrados por um grupo de investigação externa, teria sido enterrada a ex-guerrilheira Helenira Rezende de Souza Nazareth, mais conhecida como Fátima por ex-guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil que lutaram na região do Araguaia entre 1972 e 1974. Helenira está desaparecida desde 1972.

À nossa frente, dois montes de terra, na forma de V, chamavam atenção. Ali, o rio enche e eles só podiam ser obra de homens. Um outro colono que nos seguiu veio perguntar. Sem saber direito do que se tratava, se só servia túmulo com cruz, pois ele havia achado três montinhos, que "parece sepultura", perto do rio. Fotografamos tudo, marcamos o lugar… Os ossos foram acomodados em um saco plástico. Se forem humanos é possível que sejam de Fátima, a Helenira Rezende de Souza Nazareth. (…)
Lá [em Marabá], procuramos o médico radiologista Fernando Miranda. (…) "Tenho dúvida. Não descarto a possibilidade de serem humanos. Procurem alguém mais gabaritado", disse. No dia seguinte, eles rumaram para Brasília na mala do Deputado Haroldo Lima, que os encaminhou à presidência da Câmara com descrição e medidas. A Câmara, então, os mandou para o IML de Brasília, onde se encontram, para exames. (…)
Estranhamente, sumiu da bolsa do fotógrafo de MANCHETE um filme que registrava parte da operação de busca de possíveis cemitérios clandestinos e o achado de ossos dispersos à beira do rio. (…)

O ministro Maurício Corrêa decidiu colocar a mão em um dos mais perigosos vespeiros da História recente do Brasil. Ele mandou a Polícia Federal seguir as pistas levantadas pelo PC do B sobre 91 militantes do partido mortos entre 1971 e 1972 [1972 e 1975], em combates com o Exército na chamada Guerrilha do Araguaia.
Ainda nesta semana os federais começam seu trabalho, na localidade de Oito Barracas, Sul do Pará, onde foram encontrados ossos que podem ser da guerrilheira Helenira Rezende de Souza Nazaré, a ‘Fátima’. O governador Jader Barbalho designou uma equipe de policiais do Pará para a operação.

O comandante militar do Norte, general-de-divisão Arnaldo Serafim, disse que o Poder Executivo não investigará a suposta existência de cemitérios clandestinos no Sul do Pará onde o Exército teria sepultado guerrilheiros.
A informação foi dada ontem à Folha pelo comandante da 23ª Brigada de Infantaria da Selva, sediada em Marabá, general Guilherme Figueiredo, 55.

Ontem, o médico legista José Eduardo da Silva Reis, do IML de Brasília, entregou ao presidente da comissão, deputado Nilmário Miranda, o laudo do primeiro lote das ossadas encontradas no Pará, onde se desenrolou a guerrilha do Araguaia.
O legista, reconhecido como uma das maiores autoridades no assunto, fez uma exposição sobre os exames científicos que realizou e comprovou que nenhum dos ossos analisados é humano. A esperança dos membros da comissão é de que um segundo lote de ossos, recolhidos no município de São Geraldo do Araguaia (PA) pela deputada federal Socorro Gomes leve à identificação de alguns dos militantes que desapareceram durante a guerrilha. Essa última remessa já foi entregue a José Eduardo e foi recolhida na área onde estava instalado o acampamento das Forças Armadas. (…)
O legista José Eduardo disse não ter previsão de quantos dias serão necessários para concluir o laudo da segunda partida de ossos que acaba de receber. No laboratório em que trabalha, anexo ao IML, ele começou a separar ontem as primeiras amostras e tentava encontrar material suficiente para por em prática, no futuro, a técnica de sua autoria, que permite a reconstituição do rosto, a partir dos ossos, num monitor de TV.

Num outro lugar, a mais de cem quilômentros de distância de Xambioá e próximo do ex-acampamento militar de Oito Barracas a agricultora Isabel Moreira da Silva, hoje com 53 anos, viu os militares enterrando Helenira Rezende, a Fátima (…)
— Foi uma época muito difícil. Cada vez que eu subia a estrada do Croá olhando para a direita da pista, conseguia avistar a cova que fica ali, entre aquela árvore podre e o rio (Taurizinho) — disse Isabel, chorando e emocionada ao se lembrar dos fatos.

…que após dois meses de acompanhamento [de Nonato e sua patrulha], o depoente, com seu grupo, encontrou um corpo em estado de putrefação; que referido corpo não tinha cabeça e ficou às margens de uma picada entre duas propriedades, numa distância de seis a oito quilômetros da Vila Metade, aproximadamente por dois anos; que soube, à época, que o corpo era de uma pessoa chamada "Fatima"; que o referido corpo só saiu do local quando o Exército esteve na área construindo estradas para a colonização.

[Essa historia está um pouco confusa; as informações parecem corretas mas com erro de datas e troca de algumas pessoas]

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