Declaração frente às eleições do DCE-USP

LER-QI — Movimento a Plenos Pulmões — 28 de novembro de 2007

Os estudantes da USP saíram na frente nas mobilizações estudantis que se deram nacionalmente, servindo de exemplo para vários estudantes em todo país. Contra os decretos do Serra (a “Reforma Universitária tucana”), se expressou um movimento estudantil diferente da paródia dos últimos anos. Um movimento estudantil espontâneo, que fez de ocupações e cadeiraços seus métodos de luta, e que travou suas lutas por fora das antigas direções burocráticas, representada aqui pelo DCE da USP (dirigido pelo PCdoB, PT e MR8/PMDB).

Depois do novo… a volta do velho

Infelizmente, as eleições do DCE que estão em curso e a dos CA´s que passaram, não expressaram nada de novo, ficando para trás do movimento estudantil. Pelo contrário, como em todos os anos, se trata de uma disputa estéril pelos aparatos por fora de qualquer discussão democrática e aberta entre os estudantes (mesmo depois de milhares terem se colocado em movimento) e de acordo com os nossos interesses.

Impusemos um recuo parcial ao governo Serra (através do decreto declaratório nº01), mas não conseguimos uma verdadeira vitória e ainda existem margens para que a reitoria possa punir os estudantes e trabalhadores ocupantes e grevistas. Por isso, fizemos um chamado às organizações políticas e aos estudantes combativos para impulsionar uma campanha nacional contra a repressão, e para unificar nossa luta com a luta da FSA, PUC e federais, que posteriormente foram ocupadas e onde houve repressão aos lutadores.

Porém, as organizações políticas preferiram trocar a unidade dos que lutam, pela unidade com a burocracia estudantil. Lamentavelmente, o PSOL e o PSTU, preferiram se unir ao DCE da USP e à UNE para organizar uma falida “Jornada de lutas em defesa de educação”, onde usava nossa ocupação para fazer propaganda da UNE, que traiu nossa luta pela via do DCE. Nem a invasão da Faculdade de Direito da USP, a São Francisco, pela TROPA DE CHOQUE, depois de uma “ocupação” acordada com a burocracia acadêmica, que levou a que 700 estudantes de direita se organizassem para rechaçá-la, foram suficientes para sensibilizar as organizações da necessidade de travar uma luta séria contra a repressão.

Fora o governismo e a burocracia estudantil das nossas entidades!

Este ano os governistas saíram divididos nas eleições do DCE, com a chapa do PT (“Na falta do céu ninguém voa”) e outra do PCdoB e MR8/PMDB (“Novos rumos — Para além dos muros”). As duas chapas boicotaram nossa luta, tentaram negociar com a reitoria pelas costas dos estudantes, não querem lutar contra a “reforma universitária tucana” e defendem o governo Lula que aprofunda o neoliberalismo tucano. Por isso, chamamos não somente a não votar, mas a rechaçar essa burocracia parasita.

Não ao PSOL que se diz anti-neoliberal, mas acabou sendo anti-operário!

O PSOL (chapa “Vez e Voz”), apesar de se dizer anti-governista, além de ter defendido 8 vezes a desocupação da reitoria, dizendo que o que tínhamos conquistado já era uma vitória, é um partido cada vez mais parlamentarista, ou seja, petista. Pior ainda, votou este ano no Congresso Nacional a lei do “Super-simples”, que legaliza a informalidade para mais de 60% dos trabalhadores do país. A Heloísa Helena, principal figura pública do PSOL, agora participa de um movimento “Por um Brasil sem aborto”, se colocando contra um direito básico das mulheres trabalhadoras de ter controle sobre seu próprio corpo.

Voto crítico indistinto nas 3 chapas anti-governistas!

Nós, do Movimento A Plenos Pulmões, lançamos uma chapa com a perspectiva de unificar os setores anti-governistas e combativos do movimento estudantil. Lançamos um chamado às chapas organizadas pelo PSTU (“Nada será como antes”), pelo PCO (“AJR”) e pelo Negação da Negação (“América: Território Livre”) e aos estudantes combativos para fazer uma convenção onde pudéssemos unificar as chapas com base num programa comum que partisse de unificar a esquerda combativa contra os governistas, contra a repressão aos estudantes e trabalhadores, pelo livre direito de greve dos trabalhadores que os patrões e o governo estão atacando e pela auto-organização dos que lutam.

Porém, mesmo depois da tragédia da divisão dos setores anti-governistas (mesmo que tivéssemos feito um chamado à unidade) do ano passado que colaborou para que os governistas estivessem no DCE, mesmo depois de uma mobilização de tamanha proporção como a que tivemos na USP, a história foi impotente para tirar essas correntes da rotina e se repete como farsa.

Frente a isso, nós, do Movimento A Plenos Pulmões, retiramos nossa chapa para não compactuar com essa política sectária e divisionista que só desarma o movimento estudantil para combater a reitoria e os governos ao não apresentar uma alternativa real e representativa dos estudantes combativos. Ainda assim, chamamos a votar criticamente, e de maneira indistinta, nessas 3 chapas porque não queremos a burocracia estudantil e setores anti-operários no DCE, além de considerarmos que essas chapas organizam setores combativos e anti-governistas do movimento.

Um diálogo com as chapas anti-governistas

O PSTU sequer respondeu ao nosso chamado, apesar de tentar se embandeirar da luta pela unidade com o chamado que fez ao PSOL que enrolou até o último momento e se negou. Infelizmente, o PSTU prefere manter o seu seguidismo ao PSOL e seu sectarismo com a esquerda. Não bastou como experiência nem mesmo a catástrofe de, por essa concepção, ter sido levado a defender 8 vezes a desocupação e fazer uma “jornada de lutas” com burocracia da UNE e o DCE da USP. Além disso, apesar de que têm participado das ocupações pelo país contra o REUNI, não levantou nenhuma política de unificação pela base e um programa capaz de ganhar o apoio da sociedade, levando todas as ocupações ao isolamento e a derrotas com o REUNI sendo aprovado. Ao que parece, fizeram essas ocupações somente para se localizar melhor para as eleições do fim desse ano e para…. construir uma nova entidade com o PSOL. Chamamos os companheiros a romper com essa política que limita o movimento estudantil à disputa pelos aparatos e leva o movimento a derrotas e desmoralização.

O Negação da Negação, apesar de ter se disposto a fazer uma reunião, preferiu manter a sua chapa para fazer propaganda do seu programa por fora das necessidades reais dos estudantes. Além disso, levanta como programa para a universidade o “território livre”, sem fazer nenhuma delimitação de classe, tratando os estudantes como um todo homogêneo que pode dar resposta à atual universidade elitista e racista, que se negam a denunciar desde o ponto de vista da classe trabalhadora e do povo pobre.

Por sua vez, o PCO abriu a possibilidade de unificar a depender da discussão política, porém, no marco da negativa das outras duas chapas, não seria definitivamente a expressão do nosso objetivo que era apresentar uma alternativa real aos estudantes. Além disso, durante a greve se colocaram contra a auto-organização dos que lutam, defendendo a tradição burocrática no movimento estudantil contra a tradição histórica dos revolucionários.

O que faltou na nossa luta este ano?

Nossa mobilização contra os decretos, assim como a luta das universidades federais contra o Reuni, poderia ter conquistado muito mais se desde o começo as decisões dos rumos da luta tivessem em poder das assembléias de curso e unidade, onde se reuniam a maioria dos estudantes e trabalhadores. Por isso, defendemos a auto-organização dos que lutam, através da defesa de um comando de delegados das assembléias de base. Além disso, faltou uma aliança concreta com os trabalhadores de dentro e de fora das universidades, para ganhar o apoio da população e acabar com o discurso mentiroso que fazia o governo de que queria ter mais “transparência” nas contas da universidade e acabar com os “privilégios” dos que estudam na universidade pública. Contra isso, o movimento estudantil tinha que ter levantado um programa que pudesse mostrar para os trabalhadores e o povo que somos os que queremos verdadeiramente que os trabalhadores estejam na universidade e que ela deixe de ser um “privilégio” de poucos, levantando a necessidade de estatização das universidades particulares e o fim de vestibular para garantir vagas para todos na universidade pública.

Uma chapa para as eleições do DCE não poderia se formar sem aprofundar nesse sério balanço que é necessário fazer para não cometer os mesmos erros nas nossas lutas que estão por vir. Queremos abrir com todos os estudantes a discussão de como armar este novo movimento estudantil com um programa e uma atuação que rompa com o modo petista de militar e que trave uma luta conseqüente contra os governos e as burocracias acadêmicas, assim como seja capaz de se ligar com os trabalhadores e o povo pobre.

Eleições do SINTUSP: Contra a Chapa 3 dos traidores e governistas do PT e contra a Chapa 2 dos pelegos do PSOL, os estudantes devem apoiar a Chapa 1!

Estão ocorrendo simultaneamente às eleições do DCE, as eleições do Sintusp (Sindicato de Trabalhadores da USP). É importante que os estudantes se posicionem frente a isso, porque o Sintusp é um dos sindicatos mais combativos do país e, se queremos nos aliar aos trabalhadores, temos que dar importância para quais direções vão estar neste sindicato.

A Chapa 3 (“Desatando o Nó”) apesar de se dizer independente de grupos políticos é formada por militantes históricos do PT, o partido que hoje está no governo e ataca os trabalhadores. Apesar de falar de “ética” os membros da Chapa 3, escondem dos trabalhadores que os apoiadores de sua chapa são os dirigentes sindicais do partido do mensalão e da CUT como Ricardo Berzoini que é apoiador direto da Chapa 3. A Chapa 2 (“Oposição de esquerda”), é organizada pelo PSOL, que para não arcar com o ônus da traição tenta esconder de todas as maneiras que este partido aprovou o Supersimples. Muitos companheiros dessa chapa ficaram conhecidos como os moderados por se colocarem contra os métodos de luta combativos dos trabalhadores chegando inclusive a fazer uma campanha de desfiliação do sindicato. Contra os govenistas traidores da Chapa 3 e os pelegos que aprovam leis anti-operárias como o PSOL chamamos os trabalhadores a votar na Chapa 1. Temos diversas diferenças com os companheiros que compõem essa chapa, e por isso apoiamos criticamente a Chapa 1, mas chamamos os trabalhadores a confiarem em suas próprias forças para lutar por um sindicato verdadeiramente classista, não corporativo e combativo. Chamamos também os estudantes combativos, que querem se aliar aos trabalhadores da universidade, a apoiar ativamente e fazer campanha nas unidades para a Chapa 1 junto conosco.

O Movimento A Plenos Pulmões é composto por militantes da LER-QI e independentes

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