Poesia

Pedro Tierra

Poema – Prólogo (trechos)

Fui assassinado.
Morri cem vezes
e cem vezes renasci
sob os golpes do açoite.

Meus olhos em sangue
testemunharam
a dança dos algozes
em torno do meu cadáver.

[…]
Fui poeta
do povo da noite
como um grito de metal fundido.

Fui poeta
como uma arma
para sobreviver
e sobrevivi.

[…]
Porque sou o poeta
dos mortos assassinados,
dos eletrocutados, dos "suicidas",
dos "enforcados" e "atropelados",
dos que "tentaram fugir",
dos enlouquecidos.

Sou o poeta
dos torturados,
dos "desaparecidos",
dos atirados ao mar,
sou os olhos atentos
sobre o crime.

[…]
meu ofício sobre a terra
é ressuscitar os mortos
e apontar a cara dos assassinos.

[…]
Venho falar
pela boca de meus mortos.
Sou poeta-testemunha,
poeta da geração de sonho
e sangue
sobre as ruas de meu país.

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