Copacabana me engana!!

Fórum da Ocupação, 10 de janeiro de 2008

Copacabana me engana!!
Viva 2008! Viva a Democracia! Viva o Brasil!


Na noite de 31 de dezembro de 2007, os fogos da famosa festa de Reveillon da praia de Copacabana estouraram um minuto antes da meia-noite, deixando 2 milhões de pessoas atônitas na areia. A primeira surpresa de 2008 (ou última de 2007?) deveu-se ao singelo fato de que a queima de fogos carioca — o “espetáculo” de ano-novo mais importante do Brasil — é controlada por um único fogueteiro que não tinha, na hora, um relógio digital, o que o fez disparar os fogos mais ou menos na hora certa, ou seja, na hora errada. Copacabana me engana: ninguém entendeu nada. Mas, e daí? Não era para entender mesmo.

Mas as surpresas do ano novo não param por aí.

O Presidente Lula — que havia terminado 2007 com “um café da manhã com o presidente” no qual declarou ter “ojeriza à palavra pacote”, que o Ministro Guido falava demais e, sendo o seu governo “responsável”, nada de aumento de imposto para compensar a CPMF (quem diria PT!) — abriu 2008 com um belo pacote tributário anunciado pelo próprio Guido the talker. Longe de ver no aumento de imposto sobre movimentação financeira um problema, não podemos deixar de achar, no mínimo, bizarra a justificativa do nosso querido presidente para tão rápida mudança de opinião: tudo o que ele disse valia para 2007, não para 2008. Ah bom!!! Agora entendi… Depois têm coragem de achá-lo óbvio!

Enquanto isso, no pântano do Butantã – também conhecido como cidade universitária ou, simplesmente, USP — outra grata surpresa era preparada com afinco e na surdina: uma laje! A estrutura em questão foi construída sobre a escada que dá acesso ao espaço dos estudantes da FFLCH, também conhecido como porão. Como sabemos, os bloqueios de concreto são símbolos conhecidos da democracia, nada mais adequado vindo de um dos mais importantes teóricos políticos do país. O professor Gabriel Cohn, atual diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP vinha dando, desde que assumiu seu mais novo cargo, demonstrações extremamente instrutivas de como conduzir democraticamente uma instituição de ensino e pesquisa. Fazendo justiça à sua fama de excelente professor e brilhante teórico político, dava lição atrás de lição de procedimentalismo democrático, constituição de espaços públicos e civismo — como ele mesmo gostava de citar nos seus textos. Um exemplo de vida edificante! Mas de todas as suas inesquecíveis lições, nenhuma se compara à geniosa — perdão: genial —, surpresa de 2008: um bloqueio intransponível, construído às escondidas e sob constante vigilância policial: a forma mais civilizada de encerrar uma disputa política, mecanismo democrático perfeito para a resolução de conflitos.

Ainda bem que, em 2008, a USP e o Brasil continuam no caminho certo!!

Viva 2008! Viva a Democracia! Viva o Brasil!

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