Estudantes ocupam Porão com mostra: ALPHAVILLE: 4a, 18h30

MNN — Brasília17, 19.03.07

Depois da quebra da jaula, já no primeiro dia de aula, como resposta dos estudantes ao autoritarismo do diretor da FFLCH, que gradeou o espaço dos estudantes durante as férias, surgiu a proposta de ocupação do porão dos estudantes com uma mostra de filmes.

A proposta foi apresentada na última reunião ampliada do CEUPES (CA da Ciências Sociais), e na última quinta-feira ocorreu um primeiro encontro para produção da mostra, no qual havia aproximadamente 30 estudantes, a maior parte bixos de Ciências Sociais e Filosofia.

A idéia da mostra é que os estudantes ocupem o porão com atividades artísticas e políticas permanentes, atividades que coloquem o prédio em movimento. Fazer do porão um espaço de livre produção e organização, em contraposição à repressão que avança.

Na reunião, foi discutido o sentido geral da mostra dentro do contexto imediato e a necessidade de que seja realizada já. Por isso, foi decidido que o primeiro filme será exibido já na próxima quarta-feira, dia 21, às 18h30, com cerveja e discussão. A idéia é realizar uma exibição por semana.

Discutiu-se que os filmes deveriam ter, em sua forma e em seu conteúdo, a ousadia, a força e a radicalidade da própria tomada do porão pelos estudantes. A reocupação do porão com a mostra seria, assim, uma continuidade do enfrentamento dos estudantes contra a burocracia acadêmica e a perda de direitos, e de forma mais ampla, contra a mediocridade do futuro que se apresenta à nossa geração.

Nesse sentido, já apareceram várias sugestões de filmes. O primeiro a ser exibido será Alphaville, de Jean-Luc Godard, já que é uma alegoria sobre a sociedade humana completamente dominada por processos repressivos e pela ausência da poesia.

Leia a seguir, o texto de divulgação da primeira exibição:

Godard: contradições postas à 10.000 watts de potência.
O fruto proibido apodrece: nos impedem de comê-lo.
Quase todos os dias as palavras malditas desaparecem dos dicionários: resistência e rebeldia.
A decadência da burguesia que sobrevive pela destruição diária da vida: repressão e mais valia. Podemos > realizar a produção que supere as maravilhas romanas, gregas, egípcias: matar a fome do estômago, a fome de amor, a fome de poesia.
Hoje, no épico de cada dia, matamos o homem, destruímos suas forças produtivas.
Curtimos a tecnologia das câmeras, das bombas, da polícia científica.
Façamos o inverso, o reverso: quebrar as câmeras, arrancar as jaulas, Compondo um movimento além da cópia, amplificando a vida.
Vaiando a vida morta, vivificando a vida viva: poesia, pois é, poesia.
O martelo da síntese e da invenção que destrói a argúcia naturalista.

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