2 ou 3 coisas que sabemos dela: algumas verdades sobre a reforma da FFLCH

Texto sobre a reforma dos prédios da FFLCH-USP iniciada na gestão de Gabriel Cohn (2008)
MNN-Brasília 17 — 17 de março de 2008

A reforma da FFLCH, defendida pelo PSTU e pelo PSOL como "vitória" da ocupação da reitoria, não surgiu hoje, nem na ocupação da reitoria em 2007. Na verdade seu projeto data de 2005, quando o diretor da faculdade ainda era Sedi Hirano.

Para legitimar a reforma entre a comunidade acadêmica, Sedi Hirano e Gabriel Cohn, bastante espertos, resolveram se valer de algo muito sensível aos estudantes da faculdade. Como se sabe, a situação da FFLCH como um todo é de evidente degradação, ruína material. Goteiras, banheiros precários, estruturas comprometidas… cursos como o de Letras estão totalmente relegados e os estudantes, evidentemente, reivindicam transformações no espaço físico. Os prédios de Letras e Ciências Sociais/Filosofia, por exemplo, são provisórios há décadas. Foram construídos durante a ditadura militar e sua arquitetura reflete bem o período: nenhum ponto de encontro, nenhum espaço de convivência, nenhuma possibilidade de aglomeração de estudantes. Corredores estreitos e muitas escadas. Muito mais repele do que recebe.

Hirano e Cohn falam em "reforma" para, assim, retirar os espaços estudantis, acabar com a reflexão crítica e aprofundar o caráter formador de mão-de-obra barata dos cursos da FFLCH.

A reforma de Hirano-Cohn pretende criar, em geral, salas gigantescas para formar professores de qualificação precária. No caso da reforma do prédio de Letras, por exemplo, pretende criar 8 salas para cerca de 100 alunos cada. Longe de uma melhoria, a reforma aponta para uma maior precarização e destruição do curso. Com “puxadinhos” (é assim que a reforma é conhecida), reproduzindo a estrutura existente e retirando os espaços estudantis, a reforma somente legitimará e eternizará toda a mediocridade e violência da arquitetura da ditadura. Cabe até perguntar se com o dinheiro destinado à reforma, por volta de R$ 11 milhões, não poderiam ser destruídos esses dois prédios-prisão e construídos novos prédios (o que, em tempos de cartão corporativo, levanta também a suspeita sobre a destinação real de toda essa grana).

Isso tudo não é novidade pra ninguém. Por várias vezes os estudantes da faculdade se colocaram contra esta reforma, não só por causa da retirada dos espaços estudantis, mas também pelo caráter do ensino que a reforma propõe (100 alunos por professor!). No ano de 2006, além das assembléias de vários cursos se colocarem contra a reforma, uma assembléia de toda a FFLCH tomou esse posicionamento (contra o PSOL, que defendia a reforma, e o PSTU, que se absteve). Também no mesmo ano os estudantes fizeram dois atos contra a retirada dos espaços estudantis, um que ocupou a sala do diretor Gabriel Cohn e outro que, junto de estudantes de várias unidades, tomou as ruas e se dirigiu até o Largo da Batata.

Em 2007, porém, quem usou o elemento sensível da ruína material da faculdade e a promessa da "reforma" para enganar os estudantes não foi Gabriel Cohn nem Sedi Hirano. Como se sabe, o PSTU e PSOL, querendo acabar com a ocupação da reitoria, passaram mais de um mês defendendo as migalhas oferecidas pela reitora para acabar com o movimento. Entre as "conquistas" defendidas pelo PSOL e pelo PSTU estava… a reforma dos prédios da FFLCH, a mesma de Hirano e Cohn, a mesma que retira os espaços estudantis! E foi essa reforma que eles tanto defenderam como condição para que os estudantes desocupassem a reitoria. Após a desocupação, a reforma foi apresentada por esses partidos como uma das maiores vitórias do movimento, ao lado da "não-punição" aos ocupantes.

Hoje, desmentidos pelo próprios fatos, se desesperam e negam terem dito o que diziam ontem. Agora, com o início da reforma, os burocratas do ME mudam seus discursos. Dizem que a reforma que defenderam é, na verdade, outra, apesar da planta ser uma só. Dizem, junto com o diretor, que a reforma que será implementada é somente uma “estrutura oca”, cujos espaços internos ainda não estão definidos.

Mentem e enganam os estudantes mais uma vez, legitimando a reforma de Cohn e conduzindo os estudantes de olhos fechados para o abismo.

Não é mais possível acreditar nesses mesmos burocratas de todos os anos!

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