BUROCRACIA DA USP “APROVEITA” AS FÉRIAS: AMEAÇA COM SINDICÂNCIA E MIRA ESPAÇOS ESTUDANTIS

Fonte: Brasília 17, 11.12.2007
REPRESSÃO: USP


Aproveitando a chegada das férias e o esvaziamento da universidade, os burocratas da USP intensificaram a repressão sobre os estudantes. Além da sindicância, que já estava prevista no termo de desocupação da reitoria e que agora teve os primeiros estudantes chamados a depor, nas últimas semanas aconteceram várias ameaças aos espaços estudantis.

Estudantes intimados a depor
Na semana passada, alguns estudantes (ainda não se sabe quantos ao certo, mas são pelo menos 5) receberam telefonemas da burocracia universitária e foram intimados a prestar depoimentos sobre a ocupação. Segundo as informações que temos até agora, todos os intimados são estudantes que participaram da Comissão de comunicação da ocupação da Reitoria da USP, e que por isso apareceram publicamente, em declarações à imprensa, vídeos e entrevistas.

A comissão sindicante tinha sido instaurada pela Reitoria em setembro para “apurar os abusos e excessos” supostamente cometidos pelos estudantes na ocupação, e tinha o dia 12/11 como prazo para terminar seus trabalhos, mas até agora tinha permanecido em silêncio. Curiosamente, justamente nas últimas semanas de aula, quando a universidade está esvaziada e será praticamente impossível fazer qualquer atividade pública e organizar alguma resistência à sindicância, os primeiros estudantes foram chamados a depor.

FFLCH, FAU e Física: espaços estudantis ameaçados
Também aproveitando as férias, e também como resposta às movimentações estudantis de maio-junho de 2007, vários diretores de unidades da USP indicaram que vão acelerar o processo de retirada dos espaços estudantis.

O diretor da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), Gabriel Cohn, célebre burocrata que quer tirar desde o ano passado os espaços estudantis nos 3 prédios da Faculdade, que gradeou o porão dos estudantes de Ciências Sociais e Filosofia durante as férias de janeiro de 2007, que teve sua jaula derrubada pelos estudantes, e que escreveu nos jornais contra a “violência” da ocupação da reitoria da USP, deu há poucas semanas um “prazo” para os estudantes se retirarem novamente do porão.

O projeto está pronto, a reitoria anunciou recentemente que liberou a verba para a reforma-destruidora defendida por Gabriel Cohn e repudiada pelos estudantes, e é muito provável que o “democrático” Cohn ataque novamente nas férias.

O diretor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), Silvio Sawaya, não é menos célebre que Cohn por sua posição abertamente reacionária durante a movimentação de 2007; chegou a organizar uma passeata contra a ocupação, e defendeu recentemente que situações como aquela precisam ser resolvidas com intervenção policial.

Sawaya também tem conhecidos planos privatizantes para o piso dos estudantes da FAU (como, aliás, para todos os espaços da Faculdade) e marcou reuniões dos conselhos com essa pauta logo no início das férias. Por que será?

Da mesma forma, o diretor reacionário do Instituto de Física, Alejandro Szanto, que durante a ocupação da reitoria se manifestou ao lado de Sawaya e de outros burocratas, mandou semana passada uma carta ao CA dizendo que pretende retirar o espaço de vivência dos estudantes para ampliar a área do restaurante (privado).

Esses e muitos outros burocratas, que não têm nenhum projeto para a universidade a não ser os seus próprios projetos privados e aqueles dos capitalistas seus “parceiros”, sabem que para manter a normalidade da academia falida vão precisar reprimir cada vez mais a maioria insatisfeita.

Precisamos defender nossos direitos democráticos de reunião e manifestação, defender os espaços e as entidades estudantis, combater a repressão e as punições!

Defender as liberdades democráticas na universidade!
Preparar a nova onda que vai se erguer e varrer os burocratas!


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