Porque OCUPAMOS e o que QUEREMOS???

"O que leva um homem a trocar a construção do mundo
Pela feitura de palavras ocas em folha de papel?
Trocar a vida que pulsa no mundo por uma suave poesia?
Escrever poesia enquanto o fogo irrompe e o aço tini!
Olhe em redor, pequena figura
Decadência, assombros, corrupção
Em cada alma um verme roedor
Mastiga o coração"
[Luís Alberto de Abreu]

Ocupação

A ocupação da vice-diretoria é um ato político, CONTRA os ataques que a educação e a universidade em específico vêm sofrendo pelo governo do PSDB no estado, e PELA imediata tomada de providências em relação aos problemas específicos do campus de Franca.

A ocupação da vice-diretoria da Unesp Franca aconteceu dia 28 de maio, por volta das dez da manhã e se deu de forma pacífica. Havia sido tirado em assembléia do dia 23 de maio que a diretoria seria ocupada, no entanto o diretor obteve a informação da ocupação anteriormente e retirou todos seus objetos de trabalho. Na segunda feira, a sala da diretoria não abriu, e como os estudantes já haviam decidido não danificar nada, não foi possível ocupar a diretoria, já que para isso a porta teria de ser derrubada.

Ainda na segunda-feira, o vice-diretor Fernando A. Fernandes marcou uma reunião com cinco alunos da ocupação para discutir os pontos de pauta. O vice-diretor deu respostas vagas a todos os questionamentos, inclusive ao primeiro ponto da carta de reivindicação: a não punição dos participantes. Quanto a isso ele respondeu que "Desde que não haja nenhum ato que possa implicar em lesão de interesse público e individual das pessoas não serão tomadas as iniciativas para as eventuais medidas jurídicas cabíveis". Cabe refletir sobre o que seria para o vice-diretor de uma universidade pública "lesão de interesse público e individual", principalmente hoje em dia em que o público e o privado tornaram-se uma mescla indissociável.

Pauta de reivindicações

  1. Nenhuma repressão aos membros do movimento estudantil. Comprometimento por escrito e assinado pela diretoria, garantindo que nenhum dos participantes serão punidos e/ou sofrerão qualquer tipo de ação administrativa.
  2. Abertura imediata de concurso para professor. Que se abra concurso imediatamente no mesmo regime de dedicação, em caso de exoneração, aposentadoria ou demissão de professores.
  3. Que o diretor se coloque publicamente contra o projeto de implementação da reitoria da universidade vertical e do benefício único.
  4. Que o diretor envie uma nota à direção da Unesp Araraquara e para a comissão de sindicância informando que os alunos da Unesp de Franca estão ocupando a diretoria contra qualquer tipo de punição aos estudantes de Araraquara.
  5. Construção no novo campus de uma moradia estudantil que atenda toda a demanda dos moradores atuais, agregados e lista de espera.
  6. Pela imediata incorporação de todos os alunos da lista de espera e agregados a moradia através de uma expansão de vagas.
  7. Que se forme uma comissão com os três setores da faculdade com igualdade de foz e voto para propor as mudanças necessárias no novo campus: Restaurante universitário, biblioteca, espaço para entidades estudantis e grupos de extensão, UNATI, UNAMOS, entre outros que a comissão averiguar.
  8. Retirada das câmeras da faculdade, visto que já ficou provado no incidente do tarado do banheiro feminino que estas não visam segurança.
  9. Clareza nos processos de avaliação da pós-graduação, visto que atualmente não é esclarecida a nota, dando margem para favorecimentos e apadrinhamentos.
  10. Entrega de um panorama de projeção de gastos e recursos trimestrais para as entidades estudantis e demais interessados.
  11. Contratação imediata de funcionários para cobrir a deficiência do quadro atual, e principalmente para que se amplie o horário de funcionamento da biblioteca e para que se aumente o fornecimento de refeições no RU.
  12. Abaixo as terceirizações: Pela imediata incorporação dos funcionários terceirizados ao quadro de funcionários da Unesp, sem a abertura de concurso. Pela redução do preço do xerox ao preço de custo.
  13. Pelo aumento da cota de impressão atual para 250 impressões mensais e disponibilizando a impressão de três TCC por pessoa, garantindo assim o mínimo necessário a pesquisa.
  14. Pela imediata revogação do projeto de implementação de catracas no campus, seja na entrada, no RU ou em qualquer outra localidade.
  15. Pela democratização da estrutura universitária: Que o diretor se posicione em documento pela paridade de poder entre os três setores nos órgão de decisão da universidade e se comprometa a realizar uma campanha pela reivindicação.

Movimento Estudantil de Ocupação - Unesp, Campus de Franca
28 de maio de 2007

Mobilização

A exibição do segundo vídeo sobre o decreto em sala de aula causou mais discussões e visitas à ocupação, inclusive a adesão de mais pessoas ao movimento de ocupação que hoje conta com aproximadamente 70 pessoas, e outras que apóiam de outras formas, que não a presença concreta na vice-diretoria.

Na quarta feira às 14h30, aconteceu a assembléia dos professores com pouca participação dos mesmos. Nesta, decidiram não entrar na greve. De acordo com os professores, uma greve agora não seria vantajosa, porque a faculdade ficaria esvaziada e o movimento desnorteado. Acreditamos, porém, que se a greve dos funcionários se estender, as aulas ficarão inviáveis.

Ainda na quarta, às 20h, a assembléia dos estudantes que contava com cerca de 400 alunos, também votou não à greve. Em contrapartida apoiou massivamente a ocupação da vice-diretoria, contra os decretos, a privatização da universidade e a precarização do ensino público como um todo.

Demandas específicas

O campus da Unesp Franca fica num prédio muito antigo - bonito pra olhar, mas muito perigoso pra estudar e trabalhar dentro! O prédio não tem sequer alvará de funcionamento do Corpo de bombeiros, possui cerca de 72 pontos de risco de acidente. Isso sem falar na insuficiência das bolsas de auxílio, de vagas na moradia e de refeições do R.U.

Como em toda eleição para governador, o campus novo de Franca - promessa de mais de 20 anos! - começou novamente a ser construído no segundo semestre de 2006, mas dessa vez parece que é sério. O terreno onde está sendo construído fica a aproximadamente 20km de onde está o atual, inclusive da moradia da Unesp. Ainda sobre o terreno, este encontra-se em uma área de vossoroca.

O lendário campus novo aumenta de forma insuficiente o Restaurante Universitário, que hoje serve cerca de 400 refeições a R$2,50, com uma demanda de quase 1800 estudantes. A construção do novo prédio acarretaria ainda, a vinda de mais cursos para Franca - pedagogia por exemplo, que já está aprovado. Aumentam-se as vagas, diminuem-se as verbas…

O projeto não prevê construção de nova moradia, e a solução dada a tal problema seria a implantação de uma linha de ônibus moradia-campus. Uma linha particular, paga pelos alunos.

Os ataques não param, o governador mudou alguns pontos do decreto para garantir que a autonomia universitária está assegurada, no entanto sabemos que ele não fez mais que trocar seis por meia dúzia. A universidade pública está garantida apenas para uma pequena parcela da população, sabemos que a maioria dos filhos dos trabalhadores não terá acesso a um ensino público de qualidade, de qualquer nível.

E isso sim é uma violência, isso é que é uma agressão ao trabalhador que paga seus impostos e não tem como retorno a qualidade de vida merecida em forma de saúde, lazer, transporte educação.

Lutamos para que todos possam ter acesso ao conhecimento, que não é uma mercadoria, não deve estar a serviço das grandes empresas, num ciclo que excluí a maioria das pessoas. Mas sim uma ciência voltada para a sociedade e o bem estar social de toda a população.

"Multidões desses miseráveis
Tomarão as ruas e pisotearão os jardins
E estarão certos!
Farão das bibliotecas abrigo
E queimarão livros para aquecer do frio
E estarão certos!
Odiarão nossas leis, nossa arte, nossa justiça
A que nunca tiveram acesso
E estarão certos!
Porque toda nossa civilização,
Toda sua poesia, Virgílio,
Toda nossa Ciência, Arte, Filosofia
Não lhes deu um grama a mais de gordura ao corpo
Um dia a mais de esperança à alma"

Luís Alberto de Abreu

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